Gil Bahia: “Para ganhar da nossa equipe vão ter trabalho”

 

selecao-jogando

Novo lateral direito do Juventus foi destaque das categorias de base e já chegou à Seleção Brasileira. Foto: Arquivo Pessoal.

“Santo de casa não faz milagre”. Gil Bahia cita essa frase, aos risos, para mostrar uma leve decepção com sua passagem pelo Bahia, seu time de infância. “Foi um sonho realizado, apesar de não ter sido do jeito que eu sonhava”.

Ele lamenta que os times do Nordeste brasileiro não deem tanto valor para os atletas da região. “Tem uma cultura de contratar jogadores de fora”, explica dizendo que a vantagem foi ter tido toda a família e amigos acompanhando seu trabalho de perto.

cruzeiro

No Cruzeiro, Gil Bahia foi campeão mineiro, vice-campeão brasileiro e campeão brasileiro sub-20. Foto: Arquivo Pessoal.

Gil Bahia nasceu Gilmerson dos Santos Mota e não foi na sua terra natal que iniciou a carreira profissional. Na verdade foi bem longe, no Cruzeiro – quase 1500 km longe de casa.

O “professor Joel Santana” foi o primeiro a dar oportunidade para o garoto entrar em campo profissionalmente. Antes disso, atuou na base do Vitória (BA), Iraúna (MG) e do próprio Cruzeiro.

selecao-copa-mic

Como atleta de base da Seleção Brasileira, Gil Bahia foi campeão da Copa MIC, em Barcelona, em 2011. Foto: Arquivo Pessoal.

Depois do Cruzeiro, conseguiu voltar pra casa e atuar no seu time do coração, onde não encontrou tanto espaço quanto gostaria, mas conheceu Caio Júnior, de quem se recorda com muito carinho. “Infelizmente ele esteve nessa tragédia com a Chape, mas garanto que o propósito dele foi cumprido pela pessoa correta que ele foi aqui na Terra”, afirma.

O lateral direito ainda teve tempo de passar pela sua melhor e, ao mesmo tempo mais decepcionante, experiência no futebol: a Romênia. Lá, ele afirma, conseguiu se destacar mesmo com as dificuldades de adaptação e chegou a receber propostas de clubes do leste europeu que iriam disputar a Liga dos Campeões.

romenia

Gil Bahia passou um ano na Romênia e por dois clubes do país. Foto: Arquivo Pessoal.

“Com apenas 12 partidas, pude ser o melhor lateral do campeonato nacional […] mas por não ter contato com algumas pessoas, acabei não acertando com nenhum grande clube”. Ficou desgostoso, se arrependeu de ter escolhido a carreira no futebol e decidiu até que daria um tempo com o esporte.

Não durou muito e logo estava de volta ao Brasil. No final do ano passado, foi anunciado como novo reforço juventino e concordou em conversar com o Futebol Travesso. Os principais temas você confere abaixo.

Momentos marcantes

Meu melhor momento no futebol vive na Romênia, onde mesmo com a dificuldade de adaptação, em 6 meses, pude me destacar.

[Além disso], teve a minha primeira convocação para Seleção Brasileiro Sub17, onde pude jogar ao lado de jogadores hoje consagrados no futebol mundial como Neymar, Coutinho e Alisson.

Arrependimentos

Na Romênia eu fiz um bom campeonato e com apenas 12 partidas pude ser o melhor lateral do campeonato nacional. Tive várias propostas de clubes do leste europeu, inclusive de clubes que iriam disputar a Liga dos Campeões, mas por não ter contato com algumas pessoas, infelizmente, não acertei. Acabei desgostando das pessoas desse meio do futebol, porque não tinha mais confiança, e tinha decidido dar um tempo com o futebol.

coletiva-bahia

O sonho de infância e a decepção no tricolor baiano. Foto: Divulgação Bahia.

Bahia

Ter jogado no Bahia foi um sonho realizado! Apesar de não ter sido do jeito que eu sonhava, foi muito boa a experiência de ter todos os meus familiares e amigos me acompanhando.

Mas lá na Bahia tem um ditado, que santo de casa não faz milagre (risos). No nordeste tem uma cultura de contratar jogadores de fora e não dão muito valor para os que são de casa.

Caio Júnior

Foi uma pessoa muito correta do que fez, pelo pouco tempo que ficou no Bahia. O primeiro contato com ele foi muito bom, ele me deixava muito tranquilo antes das partidas e sempre tinha uma palavra de motivação. [Ele dizia] para eu sempre entrar em campo pensando nas pessoas que dependem de mim e jogar por todos eles.

Infelizmente, eles esteve nessa tragédia com a Chape, mas garanto que o propósito dele foi cumprido pela pessoa correta que ele foi aqui na Terra.

elenco-juventus

“Temos um time competitivo e que pode ir além”. Foto: Ale Vianna/ Divulgação Juventus.

Juventus

É um time muito bem montado, tem jogadores com experiência e rodagem apesar de também ter muitos jogadores jovens.

Em todos os amistosos tivemos a oportunidade de sentir as características dos companheiros e fiquei muito feliz pelo que apresentamos durante esses três meses de preparação.

Série A2

Minha expectativa é das melhores. Nesse período de trabalho, eu vi que temos um time competitivo e que podemos ir além.

Acredito que vamos fortes e, pra ganhar da nossa equipe, principalmente aqui na Javari, vão ter trabalho.

juventus

“Vou dar a vida para chegarmos ao nosso objetivo no final da competição”. Foto: Arquivo Pessoal.

Rua Javari

Pude acompanhar a torcida durante a Copinha e me deixou muito animado porque é sempre bom jogar com uma torcida que apoia e empurra o time, mesmo nos momentos em que não estamos bem. Sei que vai ter muita cobrança da parte deles, mas fico tranquilo, pois eles vão nos ajudar nessa caminhada rumo à A1 em 2018.

Quem é Gil Bahia?

Um jogador muito dedicado e que vai dar a vida pra chegamos ao nosso objetivo no final da competição.

Anúncios

Wilson Junior: “Sei o tamanho da responsabilidade e me preparei pra isso”

32128676450_6680d6317b_o

“Penso que a desconfiança é normal enquanto não começa”. Foto: Ale Vianna/ Divulgação Juventus.

Quando Wilson Junior foi anunciado como o novo treinador juventino, uma nuvem de dúvidas pairou no ar. “Mas ele não é muito inexperiente na função?”, questionaram aos montes os nossos seguidores nas redes sociais. Bem, há controvérsias.

O técnico, é claro, se defende. Aceita a pressão, entende a responsabilidade, mas aposta: “tenho certeza que vão nos abraçar”.

E essa certeza parte de uma premissa que é muito recorrente na sua fala. Ele é um estudioso, já fez diversos cursos – inclusive quando ainda era jogador – e parece acreditar que os resultados são uma questão de tempo e, principalmente, esforço.

487044_140152896124537_1634611833_n

Como goleiro, ele destaca um título no Azerbaijão e o da Série A2 com o São Bernardo. Foto: Arquivo Pessoal.

Wilson Junior, depois de pendurar as luvas de goleiro, comandou quatro times: Matonense, São Bernardo, Rio Preto e Monte Azul. Qual foi seu momento mais marcante na nova função? Ele prefere pensar no futuro: “estou buscando uma conquista e estou trabalhando muito para ser agora com o Juventus”.

O técnico, que se inspira em Tite, Fernando Diniz e Jorge Jesus, concordou em dar uma entrevista para o Futebol Travesso. O resultado você confere abaixo.

goleiro

“Sempre me considerei um líder positivo”. Foto: Arquivo Pessoal.

FT: A sua carreira como técnico conta com um “empurrão” um tanto quanto peculiar. Você ainda era jogador da Matonense quando foi chamado para ser treinador do time. Você se sentia preparado na época?

Wilson Junior: Nos últimos três anos da minha carreira como atleta, eu já estava me preparando para parar e assumir essa função. Joguei fora do país e tive a oportunidade de acompanhar grandes clubes em pré-temporada na cidade de Antalya, na Turquia. Fiz também um curso de análise de desempenho ainda atuando como atleta. Eu, inclusive, já tinha parado de jogar futebol quando apareceu o convite para Matonense, mas conversamos e ficou acertado que eu faria o Campeonato Paulista [Série A2 de 2015] como atleta e na Copa Paulista eu viraria o treinador, já que logo após o Paulista, eu iria terminar mais dois cursos. Infelizmente as coisas não andaram bem e eu assumi o time antes. Conhecia o grupo e sei que tirei o melhor.

 

Você ainda é novo como treinador, treinou apenas quatro times e tem um aproveitamento geral de 41%. Essa suposta inexperiência deixou parte da torcida juventina preocupada. O que o senhor tem a dizer sobre isso?

Sobre desconfiança, penso que é normal enquanto não começa, mas, se Deus quiser, os resultados aparecem e as pessoas começam a acreditar. Sei que estou em um time de história e tradição e uma torcida apaixonada, sei o tamanho da responsabilidade e me preparei para isso. Mas, como disse antes, com os resultados e com a torcida se identificando com o time e com meu trabalho, tenho certeza que vão nos abraçar.

parreira

“Não é porque você foi atleta que precisa estudar menos”. Foto: Arquivo Pessoal.

O que você leva das experiências de dentro de campo como goleiro para o seu trabalho hoje como técnico?

Onde eu passei, fui capitão das equipes e sempre me considerei um líder positivo e que conseguia fazer bem a gestão do grupo. Tenho muito disso hoje. Uma coisa que eu aprendi, por exemplo, é a ser sempre direto com os atletas. Sou franco com eles e quero que eles cresçam na carreira.

 

Você fez um curso para treinadores na CBF antes de assumir o Juventus. O quão importante é para treinadores realizarem cursos / estudos como esse?

Não vejo o futebol sem o estudo. Não é porque você foi atleta por muitos anos que pra ser treinador você tem que estudar menos. Precisa estudar o jogo, definir conceitos, saber por que está fazendo e aonde quer chegar. Para mim o curso da CBF foi um diferencial em vários aspectos na minha carreira.

Como foi o processo de montagem do elenco? As dificuldades financeiras do clube atrapalharam? Ainda há chance de algum jogador da Copinha subir para o time principal?

Montamos dentro da realidade financeira do clube. Nossa folha é baixa, mas conseguimos trazer atletas com vontade de vencer e mostramos o que o Juventus pode ser na vida deles. Perdemos alguns atletas por salários maiores e alguns porque queriam moradia, no caso um apartamento, já que todos os atletas aqui moram no clube. Mas montamos bem. Estou muito feliz. Subiram alguns atletas da Copa SP sim, eles estão de parabéns, jogaram muito e encheram todos de orgulho.

32466606376_3862af8004_o

“Nosso sonho é o acesso, mas estamos traçando metas curtas”. Foto: Ale Vianna/ Divulgação Juventus.

Como você avalia o desempenho da equipe juventina até aqui? Os jogos-treino têm sido satisfatórios?

Os jogos-treino foram bons, nos deram a confiança de que estamos no caminho certo e também serviu para avaliarmos nosso elenco. Foi muito satisfatório.

 

Quais são as suas expectativas para a estreia com o Juventus? Voltar para a primeira divisão é um sonho muito difícil de ser alcançado?

Estreia sempre é um jogo difícil, ainda mais nessa Série A2 que vai ser tão competitiva. Mas espero uma Javari lotada e tenho certeza que esse vai ser o nosso diferencial. Nosso sonho é o acesso, mas estamos traçando metas curtas para ir conquistando aos poucos. Sabemos que outros clubes investiram pesado nesse campeonato, mas acredito no nosso trabalho.

 

Pra encerrar, o que a torcida pode esperar de Wilson Junior como comandante da equipe juventina?

Um cara que vibra muito, que está muito motivado e que vai fazer o máximo para dar alegria a todos os juventinos.

7 coisas que você precisa saber sobre o novo técnico do Juventus

Wilson Junior já foi goleiro, já foi demitido de um time antes de assumir, saiu do gol direto pra beira do campo… vem conhecer melhor o novo técnico do Juventus!

1 – Ele já foi goleiro (e começou no Corinthians)

goleiro

Wilson Junior nasceu em 1976 e foi goleiro até 2015, quando já tinha 39 anos. Seu primeiro time foi o Corinthians, na temporada 1994/1995.

Seu currículo como jogador é extenso e conta ainda com passagens por times como Atlético-PR, Botafogo, Náutico e São Bernardo, entre outros.

O último título dele como jogador foi com o São Bernardo, na Copa Paulista de 2013. Ele não atuou em todos os jogos, mas criou muita identificação com o clube. Tanta, que voltou como treinador por lá em 2015.

2 – Ele foi treinador de quatro times (mas podiam ser cinco)

guara

Wilson começa sua carreira como treinador em março de 2015 e já treinou quatro times: Matonense, São Bernardo, Rio Preto e Monte Azul.

No entanto, os planos do goleiro eram para que sua carreira fora das quatro linhas começasse antes, ainda no final do ano anterior, pelo Guaratinguetá.

Ele foi anunciado em dezembro, mas tudo mudou poucos dias depois, quando o time do Vale repassou sua administração a um grupo de empresários. Eles dispensaram o treinador e boa parte do planejamento traçado até então.

Quem abriu as portas para ele foi a Matonense, que o contratou como goleiro do time que iria disputar a Série A2 de 2015.

3 – Ele era goleiro titular quando virou técnico (do mesmo time)

matonense

A Matonense estava numa péssima fase na Série A2 de 2015. Depois de seis derrotas consecutivas, o clube tinha demitido o segundo treinador da temporada, Luís dos Reis.

Wilson Junior, que era o goleiro titular daquela equipe, foi chamado pela diretoria para assumir o comando do time.

Na época, ele disse ao site da Federação Paulista de Futebol que aquele já seria o seu último campeonato como jogador: “Me chamaram [a diretoria], explicaram algumas situações, eles sabiam que esse era o meu último campeonato e tinha a intenção de virar treinador. Com o presidente sabendo disso, ele me fez a proposta por eu conhecer bem o nosso grupo. Eu me sinto preparado e principalmente acredito nos jogadores e no seu potencial”.

Mas ele demorou para ver resultados positivos. A primeira vitória de Wilson veio só em seu sexto jogo no comando da equipe, contra o União Barbarense, por 3 x 0. A vitória, porém, não foi o suficiente para animar o time e ele terminou seu primeiro trabalho com apenas 37% de aproveitamento e o rebaixamento da Matonense.

4 – Seu melhor aproveitamento foi em uma Copa Paulista

sao-bernardo

O seu trabalho seguinte foi o de maior sucesso até aqui, pelo São Bernardo, na Copa Paulista de 2015.

Wilson chega na terceira rodada, após o primeiro treinador perder os dois primeiros jogos e ser demitido.

A estreia já foi com vitória, por 1 x 0, contra o São José. Na rodada seguinte, o técnico enfrenta pela primeira vez o time que um dia viria a assumir, o Juventus, e também vence por 1 x 0, na Rua Javari.

No comando por seis jogos, o técnico consegue reverter a má fase e classifica o time para a segunda fase da Copa Paulista, onde o time não consegue mais render e sai do campeonato sem nenhum vitória.

O rendimento geral do treinador foi de 50%, o melhor da carreira. Mas se olharmos as duas fases separadamente, parecem dois campeonatos distintos: são 89% de aproveitamento na primeira fase contra apenas 11% na segunda.

5 – Seu pior aproveitamento foi no único time em que fez pré temporada (e que depois foi campeão)

rio-preto

Na primeira oportunidade que Wilson Junior encontra para realizar uma pré temporada, ele não tem sorte e não atinge sucesso.

Chegou a 11% de aproveitamento e foi demitido após apenas três jogos, com duas derrotas e um empate.

Depois de sua saída, o time engrenou sete vitórias seguidas, entrou no G6 na sexta rodada e não saiu mais, conquistando o acesso e o título da Série A3.

6 – Em três dos quatro times, ele chegou como “salvador da pátria” (mas só foi mais longe em um)

monte-azul

Além da Matonense e do São Bernardo, único time em que ele conseguiu engrenar uma sequência de vitórias, Wilson Junior também foi chamado para tentar salvar a pátria em Monte Azul.

Lá, ele chega na 11ª rodada, após o técnico Edson Só entregar o cargo. Ele encontra o time na lanterna da Série A2 de 2016, com apenas seis pontos em dez jogos.

Wilson consegue vencer suas duas primeiras partidas, mas não segura a boa sequência e não salva o time do rebaixamento.

Com 44% de aproveitamento, ele termina o campeonato em 16º lugar com 18 pontos.

7 – Ele teve um “período sabático” e valoriza os estudos no futebol

cbf

Wilson Junior é o último, da esquerda para a direita.

Wilson Junior dedicou um mês, após deixar o Monte Azul, para estudar e fazer o curso de treinador da CBF.

O curso “Licença A” oferece aulas para treinadores de futebol profissional e tem como foco preferencialmente técnicos que já atuam no mercado internacional, por conta da exigência desse tipo de licença no exterior.

Uma visita rápida ao seu perfil no Facebook nos mostra algumas fotos desse período e a sua valorização dos estudos no futebol.

Em uma entrevista na época do Guaratinguetá, seu quase primeiro time, ele lembrou de suas passagens pelo exterior: “Estudei gestão esportiva, era o que eu achava que seria importante agora. Quando joguei no Azerbaijão (2009 e 2010), íamos sempre para a Itália. Acompanhei várias equipes também do futebol europeu em geral. São escolas em que tive o contato direto. Portugal, que tem os grandes treinadores da atualidade, eu também conheci bastante. Quando passei ali, comecei a trocar muita ideia com esses treinadores portugueses. Conversamos sobre metodologia de treinamento”.

*Bônus – aproveitamento geral como treinador:

No geral, o aproveitamento de Wilson Junior como treinador é de 41%. São 33 jogos, com 10 vitórias, 11 empates e 12 derrotas.

 

O orgulho e a responsabilidade de ser o presidente do Juventus

novopresidente-24-

Foto: Divulgação/Juventus

Natural. É essa a palavra que Domingos Sanches costuma usar quando se refere à sua chegada à presidência do Juventus. “A gente tem aquela coceira politica na veia, né?”, comenta o senhor de 72 anos com os cabelos brancos cuidadosamente alinhados para a direita.

Há anos, na verdade, que essa coceira política não é mais apenas uma coceira. Nos anos 90, o “doutor”, título recebido dos anos dedicados à advocacia, articulou a criação do Partido do Esporte Nacional, o PEN. “Eu fui presidente nacional do partido, mas a gente não conseguiu torná-lo definitivo. Dependia de muitas coisas, dinheiro na realidade, para poder fazer as convenções em nove estados diferentes”, relembra.

Muitas pessoas disseram que o ajudariam, mas o partido acabou ficando parado. Ele chegou até a receber a visita do chefe de gabinete de Ademir da Guia, que propôs a criação do Partido do Torcedor, “ou qualquer coisa assim”, tentativa que também não deu certo. “Caiu no ostracismo e eu também não acompanhei mais”, lamenta.

Em 1994, decidiu se candidatar à Assembleia Legislativa de São Paulo, pelo PSDB. Na época, apoiou José de Abreu para deputado federal, Mário Covas para o Governo do Estado e Fernando Henrique Cardoso para a presidência da República. Todos ganharam, menos ele. “Eu tive 5.439 votos e aí eu desisti”, relembra com precisão, “eu achei que era melhor cuidar da minha vida e não abandonar o escritório”.

Pergunto se ele abandonou mesmo a política e ele diz que não. “Abandonei em tese né? Eu desisti de me candidatar”.

novopresidente-23-

“Alguém precisava aceitar esse desafio”. Foto: Divulgação/Juventus

Desistiu por 22 anos. Logo a cadeira da presidência do Juventus se apresentaria a ele de modo “natural”, como ele gosta de dizer.

Sua história e a do Juventus começam praticamente juntas. Nos anos 60, quando se iniciaram as obras da sede social, ele comprou um “título patrimonial”, usados na época pelo clube para ajudar na construção. As dificuldades financeiras do jovem de vinte e poucos anos, porém, o fizeram perder o título.

Mais tarde, já com mais condições, comprou outro e chegou a frequentar o clube por algum tempo. “Mas eu era solteiro e sabe como é solteiro, só vai pra cá e pra lá”, afirma, aos risos, enquanto lembra de sua rotina da época, “eu trabalhava por conta, viajava, corria, e também abandonei aquele título”. 2×0 para o Juventus.

Na melhor de três, finalmente, ele não largou mais. Já era anos 80 quando ele se casou, teve filhos e pediu para sua esposa comprar um título para todos. Lá, começou a jogar futebol, frequentar a sauna e se tornou conhecido. Daí a entrar na administração do clube foi um pulo.

Ainda no início dos anos 80, foi diretor adjunto do então presidente Milton Urcioli e ajudou a redigir o primeiro regulamento de futebol dos associados. A partir de 2003, participou da gestão de Armando Raucci, por seis anos, na diretoria jurídica.

O fato de não ter sido candidato antes é um mero acaso, afirma enquanto vasculha datas em sua memória. Embora fosse diretor jurídico, não era conselheiro, cargo que só foi ocupar a partir de 2006. E para ser candidato à presidência é necessário ter no mínimo seis anos por lá.

“Até poucos anos, eu era militante, mas não conselheiro, e quando eu assumi uma vaga, passei a ser muito atuante”, afirma dizendo que o fato de ser advogado o ajudou. “Por eu ser advogado, acaba sendo muito natural aquela coisa de sempre que a gente pode dar um palpite, então eu fui me desenvolvendo lá, me tornando mais conhecido e, por isso, eu tive um apoio e uma votação expressiva até”.

A votação expressiva a que ele se refere foi nas eleições à presidência, ocorridas no começo de maio. Ele recebeu 106 votos contra 74 na chapa de Antônio Ruiz Gonsalez, o Toninho, e 2 nulos.

Na ocasião, o então presidente Rodolfo Cetertick tentou na Justiça o direito de disputar mais uma reeleição, algo que não foi permitido. Questionado se isso tornou a campanha mais conturbada, ele nega: “Justa a sua pergunta, mas a nossa campanha foi muito tranquila, porque esse apoio que a gente recebeu já vinha de muito tempo”.

novopresidente-1-

Juntos no início, oposição com o tempo: à direita, o atual e o ex-presidente juventino. Foto: Divulgação/Juventus

E a transição? “Ah, foi tranquila também, porque a gente ajudou a colocar o Rodolfo aqui, sabe?”, relembra. Na época, ele afirma ter apoiado seu nome e até exercido o cargo de diretor jurídico no início da gestão, “mas depois por questões de a gente não se alinhar nas ideias, eu peguei e saí fora”.

Foi quando ele se tornou oposição no Conselho Deliberativo, agregou pessoas que também não concordavam com a política do presidente e se tornou candidato.

À essa altura, ele já havia se afastado das funções de advogado. Seu escritório hoje é cuidado por sua única filha, Thais Sanches Michelini, de 36 anos. O outro filho, Davi Augusto Moura Sanches, teria hoje 35, não fosse o acidente que o matou em 2014. Ele estava em uma moto quando foi atingido em cheio por um carro que realizava uma ultrapassagem na contramão. “É uma dor enorme perder um filho, ainda mais desta forma”, afirmou o então conselheiro do Juventus ao jornal Folha da Vila Prudente.

Domingos Sanches usa um tom mais preocupado quando começa a me explicar sobre a situação financeira do clube. “Olha, é uma situação muito delicada, muito delicada, mas é a realidade que temos…”, lamenta.

Ele diz que tem ido muito a bancos para conversar e tentar créditos, além de também negociar internamente com alguns funcionários, a quem o clube deve salários atrasados. “Uma meia dúzia de jogadores chegou a entrar na Justiça contra o clube, porque ficaram três meses sem pagar os salários deles”, explica quando eu cito uma reportagem do Futebol Interior, “e aqueles que ficaram no elenco foram muito juventinos, por assim dizer, porque aceitaram reduzir os salários e parcelar as dívidas para nos ajudar”.

Segundo Sanches, uma auditoria já foi contratada para fazer um balanço financeiro real do Juventus, de janeiro a maio, para que a nova gestão possa dar um pontapé inicial de forma mais segura.

O atraso na preparação do time para a Copa Paulista foi outro problema a ser enfrentado logo de cara. “Nós assumimos e tínhamos um mês para arrumar tudo pro campeonato”. Foi aí que veio a solução mais rápida e fácil: manter o diretor de futebol Raudinei, que, por sua vez, indicou a permanência do técnico Aílton Silva. A montagem do elenco também foi acompanhada de perto pelo presidente. “Eu acompanhei porque eu gosto muito de futebol, então a gente tenta ajudar”.

novopresidente-26-

“Nessa cadeira eu tenho sentido, cada vez mais, a grandeza do Juventus”. Foto: Divulgação/Juventus

Quando pergunto os pontos positivos e negativos de exercer a presidência do Juventus, ele acaba dando uma resposta que mescla as duas coisas. Ao comentar do orgulho e da responsabilidade de ocupar o cargo, ele afirma que “nessa cadeira eu tenho sentido, cada vez mais, a grandeza desse clube”.

Não é difícil entender o significado dessa frase ao se deparar com o primeiro andar da sede do Juventus e se perder facilmente em meio a todos aqueles troféus que forram cada canto das paredes. Toda a história de um clube quase centenário está ali. Cada conquista. Cada troféu ali representa um pequeno passo da longa trajetória que o Juventus percorreu até o momento daquela entrevista. Lidar com essa história, certamente, não é tarefa fácil.

No canto de sua mesa, em meio a tantos papéis, um outro objeto acaba chamando a atenção: um computador, este por um motivo peculiar. Há algum tempo, uma foto de Domingos Sanches trabalhando nele circulou pelas redes sociais com a piada de que deveria ser o primeiro presidente do Juventus a usar um computador. Sanches, com ressalvas, confirma a história. De fato, ele não estava ali na sala do presidente. “O computador é do clube né? Mas eu fiz questão, já no meu primeiro dia, de pedir para que trouxessem para cá, para minha mesa”.

Ele resume os motivos do pedido. “O presidente precisa atuar, não pode só ficar à mercê dos outros, então se eu posso, eu já vou adiantando o expediente”, diz, acrescentando que o computador hoje faz parte do ser humano. “Eu já sou meio idoso, é difícil, mas eu já comecei há um tempo atrás né?”, brinca, aos risos.

A maior parte das medidas do novo presidente ainda estão sendo mais pensadas do que executadas, já que se passou pouco mais de um mês do início de sua gestão. “Nós temos que fazer os departamentos terem uma organização que seja possível de ser vista, pelo presidente e pelos diretores, de cima pra baixo e não de baixo pra cima”, afirma enquanto lista outras prioridades, como racionalizar os departamentos, clarear os limites de cada função e informatizar o clube.

Peço para que ele faça um balanço desse primeiro mês à frente do clube. “Até aqui, eu vou te contar, é confuso te dar um balanço”, começa a falar, sorrindo, “mas eu to confiante, embora tenham dias em que você tá meio cansado, dias em que as coisas não vão bem”, pondera.

13588781_1113055075421805_2108885947_o

“Eu sou da paz e quero fazer de tudo para que o Juventus tenha união”. Foto: Cesar Isoldi/FT

O confiante Domingos Sanches brinca que se o texto fosse dele, escreveria uma frase. “Eu sou da paz e quero fazer de tudo para que o Juventus tenha união”. Apesar dos problemas que encontrou, nada tira sua certeza de que o Juventus é viável. Em sua visão, o que falta para que o clube seja o melhor possível é união.

Ele mexe nos muitos papéis em cima da mesa até encontrar o slogan que criou para sua gestão: “Juventus – o coração da Mooca pulsa mais forte”. Enquanto comenta, em tom despretensioso, de seus projetos para fazer um adesivo para carros, ele reforça seus ideais de união de forças: “Se a gente conseguir fazer a união de todos aqui, o Juventus vai ser realmente o coração, não só da Mooca, mas talvez até de São Paulo, porque ninguém tem nada contra o Juventus. O Juventus é o simbolo da paz no futebol, a gente pode até dizer” e, aos risos, repete “o símbolo da paz no futebol é o Juventus, porque ninguém tem nada contra”.

FT tem acesso a relatório financeiro do Juventus

piscina-destaque

“A situação econômica e financeira do Juventus é delicada”. Foto: Divulgação.

O Futebol Travesso teve acesso ao relatório provisório, feito pela atual gestão do presidente Domingos Sanches, sobre a situação financeira do Juventus. O documento foi apresentado na noite de hoje (11) durante reunião extraordinária do Conselho Deliberativo.

Segundo esses documentos, o Clube tem uma dívida que alcança a marca dos R$ 8 milhões. Ou R$ 8.213.797,00 para ser mais exato. Deste valor, a maior parte se refere às dívidas com a Prefeitura de São Paulo: são mais de 5 milhões em dívidas de parcelamento do IPTU, o Imposto Predial e Territorial Urbano.

O Departamento de Futebol Profissional tem uma dívida menor, mas ainda alta: R$ 250 mil referentes ao atraso no pagamento de direito de imagem dos atletas. De acordo com informações, seis jogadores chegaram a entrar na Justiça contra o Clube e aqueles que permaneceram no time após a Série A2 do Campeonato Paulista tiveram seus salários reduzidos e a dívida, parcelada.

O Juventus também tem uma dívida alta com bancos. Nas contas do Itaú, Santander e Bradesco, os valores negativos somam mais de R$ 1 milhão. E com as taxas de juros lá em cima (algo em torno de 14% ao mês), já foram debitados, apenas em maio, juros da ordem de R$ 53.303,00.

A renegociação dessas dívidas esbarra em outro problema: há uma dívida de quase R$ 300 mil referentes a atrasos no recolhimento de contribuições à Previdência Social, desde novembro de 2015, além de outras pendências fiscais junto às Receitas Federal, Estadual e Municipal.

grafico

Em caixa, o Juventus tem R$ 37.226,35, além de pouco mais de R$ 260 mil em cheques pré-datados, com vencimentos que vão até abril de 2017. Aqueles que estão sendo depositados, porém, estão voltando sem fundo.

Quanto ao número de funcionários, o Clube tem 248: 230 na sede e 18 na Rua Javari. Isso totaliza quase R$ 500 mil em folhas de pagamento, sem somar os gastos com os atletas profissionais. É quase unânime entre as chefias que o quadro de funcionários pode ser reduzido. A maior dificuldade para isso, porém, é novamente financeira: o custo das rescisões.

Outro dado presente nos documentos é que de seis eventos realizados no ano passado, quatro deram prejuízo: a Cerveja, Frios e Samba, a Noite Italiana, a Festa de Aniversário e a Corrida Viva Mooca. No geral, porém, os eventos deram lucro. O Carnaval e a Festa Junina conseguiram puxar as receitas para aproximadamente R$ 382 mil a mais em relação às despesas.

Carnaval

Com quase R$ 400 mil, o Carnaval foi o evento que mais lucrou individualmente em 2015 – mas um dos únicos com resultado positivo. Foto: Divulgação.

Todos esses problemas financeiros dificultam que o Clube consiga realizar algumas medidas. O estádio da Rua Javari, por exemplo, precisa de reformas que já foram solicitadas por autoridades, como a Vigilância Sanitária e a Federação Paulista de Futebol.

A mais complicada delas é uma construção inacabada destinada a ser alojamento de atletas e academia. A obra está parada desde que Geová deixou a diretoria de futebol do Juventus, mas a Polícia Militar pressiona pela conclusão da obra, pois caso haja uma briga entre torcedores, o material da construção pode ser usado como arma.

Além da falta de dinheiro, há ainda outra questão: a inexistência de controles contábeis. Na prática, isso significa que não há a segurança de que toda a movimentação financeira é de fato registrada ou de que não haja desvios.

As únicas certezas apresentadas no documento, na verdade, são duas: a de que não se sabe quanto o Clube tem a pagar ou a receber e a de que a situação financeira do Clube é, de fato, “delicada”.

[Entrevista] Antonio Ruiz Gonsalez: “A administração atual não tem atendido às necessidades do Clube”

gonsalez

Gonsalez durante sua posse para o primeiro mandato

Antonio Ruiz Gonsalez já foi presidente do Juventus. Ele, porém, não considera que sua trajetória tenha terminado ali, pelo contrário. Conselheiro vitalício do clube, o empresário Toninho, como também é conhecido, acredita ter realizado, entre 2010 e 2011, uma gestão correta e equilibrada, em que cumpriu o orçamento e respeitou o Estatuto. Agora, quer presidir novamente o Clube, motivado pelo momento conturbado que o Juventus passa.

O segundo candidato confirmado para as eleições de quinta-feira (12), também é oposição aberta à atual gestão. Ele considera que a diretoria executiva não está sabendo trabalhar em conjunto com o Conselho Deliberativo e que a administração é pouco transparente.

Gonsalez, inclusive, perdeu sua reeleição para Cetertick em 2011. Ele, porém, minimiza o fato e considera que ser presidente é trabalhar em cima de prioridades que “nem sempre são do agrado de todos”.

Quem o acompanha na chapa é o engenheiro e matemático Antonio Ramalho Mendes, “experiente na condução de grandes projetos administrativos e operacionais, privados e públicos”. Segundo apresentação encaminhada ao Futebol Travesso, o também conselheiro vitalício já atuou na diretoria de grandes empresas estatais.

Eles encaminharam por e-mail suas propostas antes de responder a algumas perguntas e assinaram juntos a maioria das respostas. Confira!

O senhor já foi presidente do Juventus. O que o motiva a se candidatar novamente?

O Juventus, instituição quase centenária e de grande importância social, atravessa um período de crítica turbulência, norteada pela falta de recursos profissionais e financeiros, endividamento e perda de credibilidade administrativa. Assim sendo, motivado e incentivado por vários conselheiros e sócios, bem como, pela situação anteriormente exposta e com base em nossa experiência anterior como presidente da Diretoria Executiva , gestão 2010/2011, estamos nos colocando à disposição para participar desse processo eleitoral e, se eleitos, novamente contribuirmos para um futuro de grandes conquistas em benefício do Clube e seus Associados.

Por que o senhor acha que não foi reeleito após sua primeira gestão à frente do clube?

Na função de presidente, normalmente temos que trabalhar em cima de prioridades, e isto nem sempre é do agrado de todos e muitas vezes se criam situações de críticas até infundadas, faz parte do sistema. Nos últimos anos o nosso Conselho sempre esteve dividido na opção de votos para os candidatos, muitos infelizmente sem terem conhecimento suficiente das respectivas propostas e capacidade de realiza-las. Dentro desse enfoque, embora empatado em número de votos, por força do nosso Regimento Interno, não saímos vencedores.

Nota do FT: as eleições realizadas em 2011, disputadas entre Rodolfo Cetertick e Antônio Gonsalez, terminaram empatadas em 97 x 97. Um novo pleito, convocado para a semana seguinte, deu a vitória a Cetertick por 97 x 94.

emergencial

O “plano emergencial de recuperação”: as primeiras medidas a serem tomadas em caso de vitória

O “plano emergencial de recuperação”, citado em seu plano de gestão, serão as primeiras medidas tomadas em caso de vitória? O quanto o senhor tem conhecimento sobre a situação financeira atual do clube e como fazer para melhorá-la?

A falta de transparência tem sido uma constante nos últimos anos, assim sendo não temos conhecimento, não só da situação financeira, como das demais informações que seriam de fundamental importância no sentido do conhecimento e respectiva contribuição. Quanto ao plano emergencial de recuperação, entendemos que ele deva ser implantado de imediato, diagnosticando primeiramente “ O QUE TEMOS E O QUE É PRECISO FAZER”, e no passo seguinte “O QUE PODE E COMO FAZER”.

Qual o balanço que o senhor faz da atual gestão?

Acreditamos que a Administração atual (Diretoria Executiva), não tem atendido aos anseios e necessidades que o Clube requer, deixou de cumprir as metas estabelecidas, além da dificuldade em trabalhar conjuntamente com o Conselho Deliberativo.

liasudfaoiusdfh

Criação do “Juventus S/A”, como futebol-empresa, seria a melhor forma de levar o time de volta à elite

Poderia detalhar melhor o que o senhor pensa sobre a parceria a ser firmada para o futebol profissional? Como garantir a independência do clube com uma gestão externa?

Entendemos que sem recursos financeiros torna-se praticamente impossível manter o futebol profissional num nível elevado. Um parceiro forte, juntamente com profissionais, conforme modelos atualmente praticados por outros clubes, bem como com patrocinadores e colaboradores, poderão trazer os recursos necessários para termos o futebol profissional forte e a médio prazo elevá-lo as principais divisões.

Por que a separação futebol x sede social é tão importante?

A independência do Clube em relação ao Futebol Profissional só seria possível com a criação do futebol-empresa, ou Juventus S/A, e por ser um assunto delicado faremos o encaminhamento para ao Conselho Deliberativo para abrir discussões e estudos a respeito. Atualmente o futebol utiliza um grande percentual da receita oriunda de taxa associativa e isso prejudica muito a parte associativa, além de prejudicar o próprio futebol profissional.

O Juventus é uma marca forte no futebol paulista. Como usar o marketing a nosso favor?

Realmente a marca Juventus é fortíssima, porém ela é mal explorada e para mudar esse cenário somente através de profissionais da área.

O que o senhor pensa sobre os projetos de Hotel e Arena Juventus frequentemente evocados pelo atual presidente? Caso a resposta seja contrária, quais são os seus projetos para a Rua Javari?

Quanto aos projetos do Hotel e Arena, sabemos que foram reprovados no Conselho Deliberativo por não terem conseguido esclarecer uma série de dúvidas surgidas. Haveria necessidade de novos estudos e grupos de discussões para esmiuçar ao máximo os projetos.

cidadao mooquense

Gonsalez quando recebeu o Título de Cidadão Mooquense. Ele quer resgatar e elevar o conceito da marca Juventus.

Por fim: quais os principais objetivos que o senhor quer alcançar no cargo?

Um dos nossos principais objetivos é “servir aos interesses do Clube” e resgatar e elevar o conceito da “marca Juventus”, e principalmente de seus associados, bem como toda a comunidade. Priorizar a manutenção do quadro associativo, adequar e valorizar o quadro funcional e potencializar o futebol profissional e base como centro de negócios.

Considerações finais: Temos plena convicção que, o novo modelo de gestão proposto pela “Chapa Ética e Transparência” proporcionará ao Clube Atlético Juventus um futuro promissor atendendo aos anseios dos Conselheiros, Associados, Colaboradores, Patrocinadores e Parceiros, aos quais, independentemente do resultado das eleições, antecipadamente agradecemos o apoio.

Agradecemos aos candidatos pela entrevista concedida. Agradecimentos especiais também ao Conselho Deliberativo, na figura de seu presidente Itamar Colombini Capano, que fez essencial ponte para que esse especial acontecesse.

[Entrevista] Domingos Sanches: “O presidente do Juventus não tem o direito de sonhar”

20160503_105127.jpg

Foto: Arquivo Pessoal

Domingos Sanches, 72 anos, é um candidato de oposição clara e abertamente. Não tem nenhum problema em criticar a atual gestão, que ele classifica como “negativa” tanto no campo político quanto no financeiro e de dizer que os projetos de Rodolfo Cetertick são faraônicos e sem qualquer sustentação.

Sócio Remido do Clube desde 1987, o agora candidato à presidência é advogado e fundador de um escritório que leva seu nome e que hoje é cuidado por sua filha. Chegou a ser presidente da 103ª Subsecção da OAB da Vila Prudente por duas gestões. Também foi fundador e presidente nacional do Partido do Esporte (PEN) e sócio fundador da Folha da Vila Prudente.

Arriscou ainda uma entrada na Assembleia Legislativa em 1994, quando se lançou candidato a Deputado Estadual pelo PSDB, apoiando Fernando Henrique Cardoso à presidência da República e Mário Covas ao governo do Estado. Teve pouco mais de 5 mil votos.

No Juventus, participou da elaboração dos primeiros Regulamentos de Futebol Associados, foi diretor jurídico entre 2003 e 2009 e secretário do Conselho Deliberativo entre 2010 e 2011.

Agora, Domingos Sanches busca mais um desafio em sua carreira: “renovar com transparência” o Clube Atlético Juventus, ao lado do seu candidato a vice Saulo Moisés Franciscon. Ele aceitou conceder uma entrevista ao Futebol Travesso para contar mais sobre os seus planos para o clube. Confira!

Por que se candidatar à presidência do Juventus?

Minha candidatura é a consequência da indicação e do apoio de sócios (as), conselheiros (as) e diretores (as) do Clube Atlético Juventus, os quais reconheceram em mim a vocação e qualidades naturais para representá-los com o intuito de RENOVAR COM TRANSPARÊNCIA  a administração do Clube. Julgo-me capacitado a colaborar para o reerguimento do Juventus e torná-lo um Clube novamente respeitado no cenário esportivo-social.

Qual a primeira medida que será tomada em uma eventual “gestão Domingos Sanches”?

Fazer uma auditoria nas contas do Clube para poder ter a exata dimensão da situação financeira; empossar os novos diretores para que levantem o mais rápido possível a situação de cada departamento considerando que além da questão financeira, certamente, existem outros problemas de administração que influem diretamente na má gestão dos recursos.

domingos

“O balanço da atual gestão é negativo, tanto no aspecto político como financeiro”

Quais os principais objetivos que o senhor quer alcançar no cargo?

Eu pessoalmente terei orgulho e satisfação de alcançar a união dos Conselheiros e Sócios do Clube, em torno da Estabilização Financeira, da Reestruturação e Aprimoramento de todos os Departamentos da administração, dos departamentos de esportes amadores e sobretudo que a equipe de Futebol Profissional volte a disputar a série especial do Campeonato da Federação Paulista de Futebol.

Qual o balanço que o senhor faz da atual gestão?

Considerando a não aprovação das contas das gestões de 2012/2013/2014 e 2015, que os Projetos faraônicos apresentados pelo Presidente não tinham qualquer sustentação e que o mesmo tomou medidas pessoais não aprovadas pelo Conselho Deliberativo pode-se dizer que o balanço da atual gestão é negativo, tanto no aspecto político como financeiro.

O senhor sabe como está a situação financeira do Clube? O que é preciso ser feito?

A situação financeira “real” do Clube é uma incógnita, Sabemos que não anda nada bem. Por isso que eu disse que precisamos fazer uma auditoria nas contas. Não podemos ter só noção. Temos que ter uma posição concreta. Saber a dimensão dos problemas financeiros e saber quais são e exatamente onde estão os problemas mais críticos e começar a reconstruir a administração.

11011292_874171765982223_7313727929221536735_n

Transformar o futebol profissional em uma unidade autônoma é uma das metas de Domingos Sanches

Como gerir o futebol do Juventus e fazê-lo retornar à elite? Pensa em fazer parcerias?

  1. Estudando a viabilidade de transformar o Departamento de Futebol Profissional em uma Unidade Autônoma;
  2. Adotando parceiro(s), com idoneidade e capacidade financeira, objetivando reduzir ou, se possível, eliminar os custos com esse Departamento e  possibilitar a qualificação técnica do futebol profissional e das categorias de base, e com isso buscar o ingresso de recursos financeiros decorrentes da negociação de direitos federativos;
  3. Estreitando o relacionamento com as grandes equipes do futebol paulista, por meio de possíveis convênios e parcerias, objetivando a obtenção de empréstimos de atletas sem oneração de nossos custos;
  4. Estabelecendo convênios com universidades, objetivando dispor de apoio de equipamentos e mão de obra especializada no acompanhamento e preparo físico dos atletas;
  5. Obtendo Apoio nas Leis de Incentivo ao Esporte, para desenvolver o projeto de ampliação e recuperação da “Rua Javari”.

O Juventus é uma marca forte no futebol paulista. Como usar o marketing a nosso favor?

  1. Vamos adotar uma política agressiva de marketing através da contratação de empresa(s) especializada em marketing esportivo, com acesso a todos os meios de imprensa, para que o Clube tenha maior exposição na mídia, atraindo patrocinadores e eventos;
  2. Vamos desenvolver uma política de exploração da marca “Juventus”;
  3. Vamos dinamizar a atividade de licenciamento de produtos, atualmente subaproveitada pelo Clube;
  4. Vamos agilizar os meios de comunicação do Clube.

O que o senhor pensa sobre os projetos de Hotel e Arena Juventus frequentemente evocados pelo atual presidente?

Para mim são projetos inviáveis. São sonhos, e o Presidente do Clube não têm o direito de sonhar. O Juventus é conhecido no cenário nacional por ter se mantido um clube tradicional, da época romântica do futebol, e o estádio da Rua Javari é a mais pura representação. Portanto é importante preservar suas características originais.

javari

“É importante preservar as características originais [do estádio]”

Como o senhor gostaria de ser lembrado ao final de sua gestão?

Gostaria que minha gestão como Presidente, junto com o vice-Presidente Saulo Moisés Franciscon, com  todos os diretores e Parceiros fosse lembrada com respeito por termos cumprido rigorosamente as promessas de campanha e o Plano Estratégico Trienal da Chapa “Renovação e Transparência”.

Por que os conselheiros devem escolher seu nome para a presidência do Juventus?

Os Conselheiros devem exercer o direito e a responsabilidade de votar no candidato que possa melhor representá-los na administração do Clube, levando em consideração o currículo de cada candidato, não só pessoal, mas, sobretudo pelos trabalhos prestados no Clube.

Considerações Finais: Eu aceitei o desafio de presidir o Clube Atlético Juventus, porque sinto-me preparado e consciente, e sobretudo fortalecido pela companhia do Vice-Presidente Saulo Moisés Franciscon e pelo apoio de conselheiros e sócios abnegados que clamam por mudanças  na administração do Clube Atlético Juventus.

Agradecimentos ao candidato pela entrevista concedida! Amanhã você conhece o segundo candidato Antônio Ruiz Gonsalez!

Clássico é clássico e vice-versa

Um dia alguém disse que clássico é clássico e vice-versa. E essa é uma das maiores verdades do mundo moderno.

Nada se compara ao que eu presenciei ontem em pleno Canindé, no Derby dos Imigrantes.

Foi suado, foi raçudo, foi emocionante, foi clássico!

O jogo para mim, na verdade, começou na semana passada, quando, por uma ocasião do destino, descobri que iria conseguir ir ao jogo. Chegaria atrasado, mas chegaria. E o que importa, afinal, é apenas estar lá.

Acabei chegando mais cedo do que esperava, mas a fila imensa de juventinos que queria comprar ingresso me fez perder mais alguns bons vinte minutos e quase todo o primeiro tempo.

Por isso, comemorei do lado de fora o gol do Juventus, o único da partida, e que nos deu a vitória. Foi uma comemoração das mais estranhas por que já passei.

24510485450_875ac45266_o

O grito veio de dentro do estádio, um grito de gol sem nenhuma duvida. Mas de que lado ele vinha? A altura dos gritos fez muitos juventinos acreditarem que estávamos saindo atrás no jogo, mas não, esse grito era nosso! Estávamos lotando a arquibancada visitante em uma das festas mais lindas que já presenciei.

A confirmação de que o gol era mesmo do Juventus, veio de um rapaz que estava na minha frente ouvindo pelo rádio. Agora sim, todos gritaram e se cumprimentaram, com mais tranquilidade.

O rapaz da minha frente, então, resolveu se apresentar, elogiou o treinador Rodrigo Santana e, quando eu concordei com ele, disse: “eu falo isso porque ele é meu irmão”.

Estava atrás do irmão de Rodrigo, de seu sobrinho e de seu pai. Este último, com a felicidade estampada no rosto quando recebeu a notícia de que seu filho estava vencendo a partida. Abraçou o neto e sorriu, orgulhoso.

Entrei a tempo de ver os últimos minutos do primeiro tempo. Foi o suficiente pra já me causar bastante nervosismo, principalmente com um quase gol da Portugesa, salvo em cima da linha pela zaga juventina.

24177839484_27222801ef_o

O segundo tempo não foi por menos. O Juventus estava tão bem em campo, como há muito tempo eu não via. Adiel, um monstro, estava voando. E o time tocava a bola com muita segurança.

A finalização, porém, ainda é um problema. E foi sofrido acompanhar as inúmeras chances de gol e as tantas inúmeras bolas pra fora/goleiro/trave.

Aquela velha máxima do “quem não faz, toma” quase se materializou. Chegamos a tomar uma pressão dos donos da casa. Mas André Dias, sempre ele, fez uma defesa impressionante, dessas que a torcida da Lusa por um milésimo gritou gol, e que a do Juventus comemorou como se tivesse acabado de ampliar o placar.

24510493050_65e4640432_o

A torcida grená, é bom frisar mais uma vez, lotou a arquibancada visitante para empurrar o time, em plena quarta-feira à noite. Em pleno Canindé. Pessoas que tinham tido que se desdobrar para chegar a tempo, e que estavam ali por um único motivo: apoiar, cantar, jogar junto.

Festa incrível e que culminou com a vitória. Vitória repleta de raça e rivalidade e com ares de final de campeonato. O placar foi mínimo, 1×0, mas pareceu ter sido bem mais.

E na verdade foi. Um dia que vou guardar pra sempre em minha memória. Um jogasso, um clássico e uma vitória para lavar a alma. Para quebrar um tabu de 58 anos sem vencer no Canindé.

24179145943_195e519f50_o

E a sintonia pura entre torcida e time, que veio comemorar, aplaudir e reverenciar os inúmeros torcedores diante dessa vitória histórica.

Uma vitória histórica que deixa o dia 03 de fevereiro de 2016 tingido de grená e branco.

Voltaremos!

Confira entrevista com André Dias, goleiro do Juventus

André Dias chegou ao Juventus no final de 2013, mas engana-se quem pensa que sua história com o clube da Mooca começou aí.

André

O goleiro começou jogando futsal no Juventus, na época em que ainda nem sonhava em, um dia, seguir uma carreira profissional. André, aliás, sabe precisar o momento em que passou a cultivar esse sonho: 1998. “Só fui começar a sonhar com isso quando passei a jogar futebol de campo no próprio Juventus em 1998”, lembra.

A partir daí, não parou mais. Do Juventus foi para o Corinthians. Chegou lá com apenas dez anos, em 2000, e foi onde passou a maior parte da sua carreira. Foram 10 anos defendendo as cores das categorias de base alvinegras, onde chegou a ser campeão da Copa São Paulo de Futebol Júnior em 2009 e até a vestir a camisa da Seleção Brasileira por alguns anos.

Corinthians

Time campeão da Copa São Paulo 2009

Em 2010, foi profissionalizado no clube paulista e emprestado para disputar torneios por outros times, como o Noroeste, onde conquistou o acesso para a primeira divisão em 2010, e o Flamengo de Guarulhos.

Foram três anos como profissional até chegar a hora de deixar o Corinthians e voltar para o Juventus, clube que deu o pontapé inicial em sua carreira.

Chegou para disputar a Série A3, em 2014, e permanece lá até hoje, quando se prepara para enfrentar a A2 do Campeonato Paulista, tendo como objetivo, é claro, levar o Moleque Travesso de volta para a primeira divisão.

No ano passado, André foi alçado à categoria de um dos grandes jogadores do elenco que disputou a A3. O acesso para a segunda divisão é eleito pelo goleiro como um dos momentos mais marcantes de sua carreira e não por acaso.

Pênalti

Durante o campeonato, fez defesas importantíssimas e chegou a colecionar defesas de pênaltis, tornando a meta juventina bastante segura. Ele afirma que é possível comparar a sensação de defender um pênalti como a de fazer um gol. “Para um goleiro uma defesa de pênalti tem um sensação especial pela dificuldade, e sabemos que ajuda muito o time, então no momento que fiz essas defesas fiquei muito feliz”, comemora.

Para o ano que começa amanhã, André tem as melhores das expectativas. Afirma que o time vem evoluindo muito durante os amistosos e adaptando as peças novas ao sistema.  “Uma das características mais importantes que avalio no time é que este é um grupo muito forte, com duas peças fortes para cada posição”.

Defesa

E o que esperar da estreia do time amanhã? “Esperamos colocar um futebol alegre e aguerrido em campo. E buscar a vitória, pois jogos na Javari precisamos fazer o dever de casa sempre”, promete o goleiro.

André Dias deixa, por fim, seu recado para a torcida do Juventus: “quero pedir o apoio de todos torcedores e prometer que nós jogadores vamos ter muita dedicação para colocar o Juventus na A1!!!”.

Agradecemos ao jogador pela entrevista.
*Fotos: Arquivo pessoal.

Romarinho: mais um baixinho em busca do sucesso

Por Cesar Isoldi e Juliana Fontoura

romarinho3


No ano em que Romário ajudava a Seleção Brasileira a se tornar campeã do mundo pela quarta vez, nascia em São Paulo um garoto que viria a cultivar o mesmo sonho de poder, um dia, balançar as redes vestindo a amarelinha. O nome dele é Gebson, mas todos o conhecem como Romarinho. O apelido, aliás, não surgiu por acaso. Aos quatro anos, o garoto baixinho dava seus primeiros passos no futebol. Então no Juventus, ele gostava de jogar na banheira e sempre aparecia nos treinos com a camisa 11, do craque da seleção. A comparação foi inevitável.

Filho de Dona Delci, cozinheira do Moleque Travesso, Romarinho ainda tem 21 anos. Além do próprio Juventus, passou por Rio Branco e União São João de Araras, antes de chegar ao Independente de Limeira, clube onde atualmente disputa a Copa Paulista. Em entrevista, ele contou um pouco da sua trajetória no esporte e dos momentos mais marcantes da ainda iniciante carreira.

Como foi que você começou a praticar esporte e por que decidiu ser profissional?

Meu irmão mais velho jogava bola e eu sempre ia nos treinos com a minha mãe. Quando eu tinha quatro anos e meio, uma mulher falou pra minha mãe me levar no Juventus, porque lá tinha escolinha e ela conhecia o treinador. As coisas foram melhorando a cada dia mais, consegui ajudar minha família, comprar algumas coisas… Eu ganho meu dinheiro fazendo uma coisa que eu amo.

romarinho2

Você começou sua carreira no Juventus, clube onde sua mãe é cozinheira. Como foi que ela começou a trabalhar lá também? Como era sua relação com ela durante sua passagem pelo Juventus?

Minha mãe começou a trabalhar no Juventus há 10 anos. Na época, a gente tinha muitas dificuldades na minha casa e eu ainda não podia ajudar porque ainda não ganhava dinheiro, então o diretor do clube arrumou um trabalho pra ela e depois ela foi trabalhar na cozinha. Eu gostava muito, é sempre bom comer a comida da mamãe (risos).

Você ainda é muito jovem e ainda assim já foi o xodó da torcida do Juventus na Copa Paulista de 2013, ganhando até uma música em sua homenagem. Você já se sente preparado para ser referência para torcedores? Como é essa relação entre um jogador e sua torcida?

Antes de ser jogador de futebol profissional, eu sempre ia aos jogos do Juventus na rua Javari, torcia muito e via a felicidade da torcida com os jogadores. Sempre pensava que, um dia, estaria lá dentro do campo jogando pelo clube e fazendo os torcedores felizes. Minha relação com a torcida é muito boa. É sempre bom ouvir uma palavra de incentivo antes dos jogos, sempre dou atenção na medida do possível. Considero torcedor como se fosse da minha família.

Por que o apelido Romarinho?

Meu nome é Gebson Reis dos Santos, mas ganhei o apelido de Romarinho do meu primeiro treinador no Juventus, chamado Magrão. Eu ficava só na banheira, era baixinho e ia treinar com uma camisa número 11 do Brasil, com o nome do Romário.

O que o esporte representa na sua vida?

Gosto muito de esporte, faço de tudo um pouco, além de trabalhar com futebol.

Qual foi o momento mais especial da sua carreira?

O momento mais especial da minha carreira foi a minha estreia no profissional. A Javari estava lotada e tive a felicidade de fazer um gol. Chorei demais e vi que o meu sonho de criança estava se aproximando.


*Fotos: arquivo pessoal.

*Entrevista originalmente realizada para a disciplina de jornalismo esportivo (prof. Luciano Maluly), da ECA/USP.